O que é planejamento urbano

Planejamento Urbano: O que é, Como surgiu e Qual Sua Importância

Você já parou para pensar em como surgiram as cidades nas quais hoje vivemos?

Nosso cotidiano é tão corrido que é difícil reparar nos detalhes e imaginar tudo o que aconteceu para que uma cidade seja, de fato, como a conhecemos hoje. 

Esse processo é chamado de planejamento urbano. 

Esse conceito envolve uma série de profissionais que se debruçam para transformar e qualificar os espaços em que vivemos. 

Quer saber mais sobre planejamento urbano? Confira os tópicos abordados em nosso artigo:

O que é planejamento urbano?

O conceito de planejamento urbano é mais complexo do que parece. 

Especialistas nesta área estudam o crescimento e o funcionamento das cidades já existentes ou planejadas. 

Convenhamos que, estruturar uma cidade não é moleza, né? 

Mesmo para quem não entende do assunto, dá para imaginar que são muitos detalhes. 

Quanto mais planejamento uma situação tiver, mais provável será o resultado positivo.

Essa expressão – planejamento urbano – vem da Inglaterra e dos Estados Unidos, mas a prática de planejar as cidades é bem antiga.

O intuito era sempre o mesmo: organizar a convivência de muitas pessoas em um mesmo espaço habitacional. 

Não é uma tarefa simples. Afinal, nas últimas décadas, a sociedade cresceu de maneira acelerada.

Isso significa que todas elas vão precisar de um lugar para morar e todas vão precisar se locomover de um lugar para outro em um mesmo espaço. 

Para isso, é preciso ter um mínimo de organização, na medida em que a construção de casas em lugares inapropriados pode causar problemas graves, além de ser um risco à vida dos moradores.

Então, para evitar essa “bagunça habitacional”, foram criadas políticas públicas com esse viés: o desenvolvimento das cidades e a organização dos espaços urbanos. 

Esse processo em geral tem como base um plano diretor, um instrumento básico da política de desenvolvimento de uma cidade.

É uma legislação que define as diretrizes para a gestão territorial e a expansão dos municípios. 

O que é o plano diretor?

O plano diretor é criado por planejadores autorizados pelo Poder Executivo e, quando concluído, é apresentado ao Poder Legislativo. Além disso, ele é obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes e deve ser revisado a cada dez anos.

Na maioria dos casos, as cidades já estão aí, vivas e habitadas. 

Com isso, cabe aos governantes corrigir erros ou problemas que se apresentem, por vezes, por meio da renovação do plano diretor.

Há casos, por exemplo, de cidades que foram construídas e totalmente planejadas. 

No Brasil, o mais emblemático é a cidade de Brasília.

A capital federal foi projetada por por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa e erguida entre 1957 e 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek. 

Além de Brasília, existem muitas outras cidades que foram totalmente planejadas. Como por exemplo:

  • Chandigarh (Índia)
  • Tabiola (Finlândia)
  • Camberra (Austrália)
  • Songdo (Coréia do Sul)
  • Dubai (Emirados Árabes)
  • Zurique (Suíça)
  • Washington D.C (EUA)
  • Amsterdã (Holanda)
  • Islamabad (Paquistão)

Como surgiu o planejamento urbano no Brasil?

Quem vive na cidade percebe facilmente os problemas. 

Ao sair, você depara com engarrafamentos e buracos nas vias.

Quando chove, as ruas ficam alagadas e o esgoto transborda.

Pela falta de iluminação, os índices de violência sobem. 

Identificou algum (ou todos) desses problemas onde você mora?

Pois é. 

Maior país da América Sul, o Brasil cresceu, em 50 anos, de 70,2 milhões para 191,8 milhões de habitantes.

A população urbana passou de 44% para 84%. 

Para completar, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, com grandes problemas em setores essenciais, como saúde, saneamento e educação, e altas taxas de criminalidade. 

Foi somente em meados de 1970, quando a população brasileira urbana se tornou maior que a rural e o crescimento enlouquecido das cidades começou a trazer problemas, que essa necessidade de pensar a cidade se tornou premente. 

A academia passa a se envolver nas discussões e, em 1969, o estado de São Paulo define como obrigatório a realização de plano diretor. 

O processo de democratização do país fez com que a visão racional sobre o planejamento urbano desse lugar a uma visão política, um processo que precisa considerar variáveis e disputas em torno de interesses conflitantes. 

Como forma de mediar esses interesses, a Constituição Federal de 1988 determina que o plano diretor é um instrumento básico da gestão urbana brasileira. 

O plano diretor – lei municipal, elaborada pelo poder Executivo (ou seja, pelas prefeituras) e aprovada pelo Legislativo (Câmara de Vereadores, em âmbito municipal) – é basicamente o instrumento de maior relevância para o planejamento urbano. 

Ao ser descrito em forma de lei, também oferece transparência para a política de planejamento urbano.

Tipos de planejamento urbano

Existem três tipos de cidades planejadas. 

Cidades portuárias: se desenvolvem em torno de atividades vinculadas à exportação.

Um bom exemplo, para ilustrar melhor o conceito, é a cidade de Sydney, na Austrália. 

Cidades históricas: abrigam um grande acervo social e arquitetônico.

Como exemplo, podemos citar Londres, a capital da Inglaterra. 

Cidades comerciais: são cidades cujos pontos principais são as transações econômicas e políticas.

Um bom exemplo desse tipo de cidade é Nova York, nos Estados Unidos. 

Mas, lembre-se: cidades planejadas ou áreas de ocupação pré-planejadas podem surgir a qualquer modo, a partir de vários processos urbanos.

Talvez seja difícil pensar em uma cidade específica, mas você com certeza conhece condomínios enormes, com comércio dentro, que são planejados justamente para reduzir a necessidade dos moradores de deixar aquele ambiente. 

Isso vale também para bairros ou zonas inteiras que são pensadas quase como mini-cidades.

Qual é a importância do planejamento urbano?

Não se engane.

A menos que você não saia de casa para nada, você vive o planejamento urbano.

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E, por consequência, sofre quando esse planejamento não é tão bem feito – ou quando simplesmente não existe. 

O planejamento urbano afeta a forma como nos deslocamos na cidade.

Boa parte das pessoas se desloca todos os dias às áreas centrais da cidade, onde estão concentrados a maioria dos locais de trabalho, além de serviços como escolas, hospitais e comércio em geral. 

Por isso, é natural que os trajetos de ida e volta do trabalho sejam demorados, mesmo que não sejam tão longos: todo mundo está se locomovendo na mesma direção.

Quando somado a um sistema de transporte público insuficiente, mais e mais pessoas vão precisar de um carro para se movimentar pela cidade. 

Com um planejamento adequado, as áreas centrais podem ser melhor espalhadas pela cidade. Isso evita que tantas pessoas se dirijam a um mesmo local ao mesmo tempo.

Aliado a um transporte público de qualidade, é possível que as pessoas se desloquem de outras maneiras – bicicleta, ônibus, metrô e, por que não?, até mesmo a pé. 

Além disso, sem planejamento urbano, os deslocamentos ficam mais caros. 

A cidade se torna distante, desconectada e dispersa – algo conhecido como cidade 3D. 

Viu como o planejamento urbano impacta diariamente nossa rotina? 

Outro papel do planejamento urbano adequado está na prevenção a eventos extremos.

Aquelas chuvaradas de verão, por exemplo, se tornam um pesadelo em cidades que não foram bem pensadas.

Em locais com histórico de desastres climáticos, esse planejamento é crucial e pode significar vidas preservadas ou perdidas.

Quando a cidade convida o cidadão a usufruir do espaço público, a cidade pulsa. 

O turismo cresce, as pessoas se sentem felizes e vivem a cidade. 

É o planejamento urbano que define o quão bem aproveitado serão os espaços públicos de uma cidade. 

4 exemplos de planejamento urbano pelo mundo

1. Copenhague 

mobilidade urbana Copenhague

A capital da Dinamarca possui políticas urbanas que estão entre as mais avançadas do mundo, em especial na área da sustentabilidade. 

Por lá, a bicicleta é o principal meio de transporte.

Isso contribui fortemente para um cenário de transformação urbana: a cidade é repleta de ciclovias e os carros ficam em segundo plano.

Ah, você vai perceber que isso é um padrão: cidades bem planejadas geralmente priorizam outro tipo de transporte que não os automóveis.

2. Medellín

Planejamento urbano e sustentável Medellín

Medellín, na Colômbia, é um case de sucesso em várias frentes. 

A paisagem urbana da cidade foi totalmente revitalizada, passando a trazer para mais perto as zonas mais pobres. 

Para evitar que a população mais pobre ficasse totalmente na periferia, a cidade instalou um sistema de teleférico que liga as favelas da cidade a outros espaços públicos.

Além de servir como transporte público, atrai turistas que buscam por uma vista ampla de Medellín. 

3. Nova York

Nova York planejamento urbano

Você pode pensar que essa “capital do mundo” é sinônimo de caos e de bagunça, uma vez que é uma das cidades mais populosas do planeta.

Nova York, nos Estados Unidos, porém, se transformou.

Espaços abandonados e subutilizados foram priorizados para que a população pudesse desfrutar deles. 

Um exemplo disso é o High Line, um parque suspenso com mais de dois quilômetros de extensão.

Antes de ser um parque, o local era uma linha de trem abandonada.

Entende o que queremos dizer?

Não é possível voltar atrás e impedir que a linha de trem seja construída, mas, caso não haja possibilidade de reaproveitá-la no sentido para o qual foi criada, é possível inventar. 

4. Singapura

singapura planejamento urbano

Comunidades autossuficientes, localizadas em bairros menores, foi a solução encontrada pelo governo de Singapura para conseguir oferecer uma qualidade de vida à população.

Isso porque a densidade populacional da cidade-estado mais que dobrou nos últimos 20 anos. 

Singapura também investiu em um zoneamento estratégico, mesclando edifícios altos e baixos em uma mesma região, com abundância de verde, áreas preservadas e locais de recreação.

Como trabalhar com planejamento urbano?

O caminho mais óbvio para trabalhar com planejamento urbano é por meio da formação acadêmica em Arquitetura e Urbanismo.

No curso de Arquitetura, existe uma mistura entre o projeto arquitetônico e matérias das Ciências Humanas.

Ou seja, essa parte de estudar a cidade e o bem-estar da população que nela vive acaba sendo uma das temáticas estudadas pelos futuros arquitetos. 

O estudante precisa desenvolver um olhar sobre as perspectivas antropológicas sobre moradia, entender de história da arte e saber analisar a ocupação das cidades (áreas como urbanismo, paisagismo, áreas residenciais e comerciais…)

Um arquiteto também pode trabalhar no setor público, por exemplo. 

É a forma mais tradicional de atuar no urbanismo – integrar a equipe de quem, efetivamente, é responsável pelo plano diretor. 

Para os mais ansiosos, fica a dica: não é preciso terminar a graduação para começar. 

Estudantes de arquitetura podem ajudar voluntariamente no ativismo urbano. 

Essa é uma forma bastante reconhecida de trabalhar em prol da cidade. 

A formação em Arquitetura e Urbanismo possibilita a prestação de consultoria para empresas ou mesmo para o setor público.

Essas consultorias são válidas no sentido de somar quando da elaboração de um plano diretor, de um plano de mobilidade ou para a implementação de obras de grande porte, como uma rede de metrô ou BRT.

Há, ainda, a possibilidade de o arquiteto e urbanista migrar para a área da pesquisa, seja no setor público ou na academia.

Um assunto em alta e que gera busca por bons profissionais

O planejamento urbano é vital para o bom desenvolvimento de uma cidade e está mais integrado ao nosso dia a dia do que imaginamos. 

Pensar a cidade de maneira sustentável e inteligente é a chave para a qualidade de vida dos moradores. 

Não espere que a população em geral se dê conta disso. 

No Brasil, o assunto não é tão discutido, mesmo em época de renovação do plano diretor.

Por isso, e com o crescimento exponencial da população, o profissional que pode contribuir para o planejamento de uma cidade será cada vez mais procurado e valorizado. 

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