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Fotojornalismo: tipos, carreira e salários (2021)

Fotojornalismo: tipos, carreira e salários (2021)

Você já ouviu falar em fotojornalismo?

Talvez essa palavra possa não ser tão familiar para muita gente, porém, com toda certeza você já deve ter ouvido falar que “uma imagem vale mais que mil palavras”, certo?

Se, por exemplo, tentássemos imaginar como foi a comemoração do fim da Segunda Guerra Mundial, após tantos anos, poderia ser um exercício um tanto quanto abstrato para nós, da atualidade. 

Porém, fica muito mais claro pensarmos na festa que foi quando lembramos do marinheiro beijando a enfermeira em meio à Times Square, após o anúncio do fim do mesmo conflito entre Estados Unidos e Japão.

Percebeu que sem nem mostrarmos você lembrou ou imaginou essa foto na mesma hora?

Pois é, esse é o poder e o encanto do fotojornalismo ao registrar e eternizar momentos singulares e históricos de uma maneira única, expressando muita coisa sem dizer absolutamente nada.

Curioso isso, não é mesmo?

Se você, assim como nós, se fascina com a mistura única do jornalismo com a fotografia, vem com a gente que nesse texto te contamos mais sobre essa profissão desafiadora, mas, ao mesmo tempo, encantadora.

Afinal, o que é fotojornalismo?

Como o próprio nome sugere, o fotojornalismo pode ser entendido como a arte de fotografar aliada ao senso crítico e informativo do jornalismo.

Ela também pode ser entendida como uma função dentro do jornalismo, logo que o trabalho do fotojornalista é transmitir, por meio da fotografia, uma informação clara e precisa do seu olhar analítico sobre o fato ao qual as lentes de sua câmera estão apontadas.

Ao longo da história, o fotojornalismo vem eternizando eventos históricos, e até mesmo mudando os rumos que eles tomam, afinal, nada mais expressivo para entender os contextos que, literalmente, enxergando-os.

E essa é uma das grandes características do fotojornalismo: seu caráter social e inclusivo, visto que parcelas da população não são alfabetizadas, o que as exclui de debates importantes em razão da impossibilidade de acompanhar um texto jornalístico escrito, por exemplo.

Porém, quando é realizado um trabalho fotojornalístico de excelência, a fotografia fala por si, e sendo uma linguagem de mais fácil entendimento, essa exclusão se reverte e pessoas não letradas são incluídas e passam a ser participantes de tais discussões na sociedade.

Dessa forma, o fotojornalismo se torna uma linguagem inclusiva, que quebra barreiras linguísticas e geográficas, além de instigar sentimentos e emoções ao dar cores, cara e movimento à notícia.

É uma profissão que literalmente enche os olhos, mas que exige muito comprometimento, técnica e um olhar apurado para captar o momento exato de situações únicas e irrepetíveis. 

Onde um fotojornalista pode trabalhar e quais são as oportunidades no mercado?

Assim como o jornalismo, o fotojornalista está onde a vida acontece, onde os fatos estão, por isso, é extremamente ampla a atuação deste profissional. 

Seus trabalhos podem acontecer em redações tradicionais de veículos de comunicação, agência de fotojornalismo, prestar freelas para produção de conteúdos de jornais, portais e revistas, como também cobrir o cotidiano de grandes empresas, por exemplo, em eventos.

Dentro de todas essas possibilidades, há também segmentações da profissão. Listamos algumas delas abaixo:

Fotografia Social

É o estilo de fotojornalismo que acompanha a vida da sociedade, registrando seus problemas, o cotidiano de comunidades ou populações inteiras, catástrofes naturais ou humanas…

É a captura do contexto social ao qual as pessoas estão inseridas.

Fotografia Esportiva

Na fotografia esportiva, o fotojornalista acompanha eventos esportivos, desde a cobertura do futebol de várzea, até as Olimpíadas.

Nessa modalidade, o profissional registra momentos de grande competições, entrevistas de atletas, coletivas de imprensa, como também premiações de esportistas e equipes.

Fotografia Cultural

Nesta modalidade, os registros são direcionados às expressões artísticas e culturais de um determinado grupo, sejam elas celebrações de festas tradicionais ou hábitos cotidianos que fazem parte da identidade de uma comunidade.

Fotografia policial

Nessa modalidade de fotojornalismo, o profissional acompanha as ações das polícias, em especial civil e militar, em protestos, ações preventivas, abordagens, mandados e ocorrências, dentre outras atividades do cotidiano.

É uma das modalidades com maior número de atuações no fotojornalismo.

Features

Por vezes, as fotos produzidas servem como apoio ao texto jornalístico, como uma forma de ilustrar o assunto ou acontecimento, necessitando do acompanhamento de uma legenda para sua contextualização, como você pode reparar nos exemplos anteriores.

Por outro lado, existem também imagens que falam por si só, e que podem até mesmo gerar o efeito inverso: a imagem captada gera uma matéria.

Nestes casos, chamamos essa modalidade de Features

São fotos que captam o momento presente, misturando estética, emoção e sensações. 

Veja alguns exemplos:

Retratos

Retratos é o nome dado a fotos, em geral, de personalidades famosas (normalmente captadas em eventos) que, sem perceberem, posam para o registro do momento.

Devido a essa característica, essa modalidade também é conhecida pelo termo em inglês Photo Opportunities (oportunidade de fotos, em português).

Fotodocumentário

O fotodocumentário é o registro explícito de um acontecimento. 

Nessa modalidade, o objetivo é mostrar de forma clara e precisa o fato ocorrido.

Esses são apenas alguns exemplos de modalidades do fotojornalismo que podem, inclusive, se somarem em uma única fotografia, tornando-a mais informativa e completa.

Quanto ganha um fotojornalista?

Segundo dados da pesquisa realizada pelo site salario.com.br, junto ao Novo CAGED, eSocial e Empregador Web, a média salarial de um fotojornalista é de R$ 3.322,85, em um regime CLT com carga horária de 35 horas semanais.

Ainda segundo a pesquisa, a faixa salarial vai de R$ 2.690,55 ao teto de R$ 7.089,03, sendo a média de piso salarial de 2021 de R$ 3.032,73.

São dados que refletem a realidade do regime CLT, porém, em eventuais trabalhos à parte, o ganho pode variar, sendo até superior dependendo do serviço prestado.

4 fotojornalistas (e suas obras) para você se inspirar

Separamos alguns dos melhores profissionais de fotojornalismo para você se inspirar e, entre essas referências, orgulhosamente temos grandes brasileiros. 

Confira:

1. Sebastião Salgado (@sebastiaosalgadooficial)

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O fotógrafo mineiro, nasceu na cidade de Aimorés, em 1944. 

É formado em Economia e pós-graduado pela Universidade de São Paulo, atuando, inclusive, como Ministro da Economia, em 1968.

Em razão das perseguições políticas da ditadura militar brasileira, Salgado deixou o país com sua esposa, em 1969, buscando asilo político em Paris. 

Lá, apesar de ter concluído seu doutorado, foi também o lugar onde deixou de lado a promissora carreira de economista para mergulhar no mundo da fotografia, ao qual lhe tornaria uma das maiores referências deste segmento na história.

Aos 77 anos, o fotógrafo já viajou mais de 130 países, registrando horrores humanos, mas também as grandes belezas da natureza, com uma característica única de fotos com traços preto e branco únicos.

Ao longo da carreira, Salgado já ganhou todos os maiores prêmios de fotografia do mundo e, em 2013, participou de um TedTalks em que contou um pouco sobre sua trajetória de vida e da preocupação ambiental que carrega.

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Abaixo, você pode conferir essa participação na íntegra, além de conhecer algumas de suas fabulosas obras.

2. Steve McCurry (@stevemccurryofficial)

O norte-americano Steve McCurry nasceu na Filadélfia em 1950 e é formado em Artes e Arquitetura pela Universidade da Pensilvânia. 

Seu início de carreira foi como fotógrafo de um pequeno jornal local, ainda na graduação. Dois anos após terminar seus estudos, McCurry viajou para a Índia, onde passou a construir sua linguagem visual, marcada pelas impressionantes composições do objeto fotográfico com o ambiente.

McCurry também ficou conhecido pelos seus registros da guerra do Afeganistão, sendo já fotógrafo da revista americana National Geographic, em que pode mostrar ao mundo os horrores daquele conflito. 

Desde este corajoso ato, mostrando comprometimento com a profissão, McCurry passou a fazer cobertura de guerras. 

Porém, o grande trabalho que o fez ser eternizado e conhecido mundialmente foi o retrato tirado, em um campo de refugiados afegãos, de uma garota chamada Shabart Gula, que perdeu os pais em um bombardeio soviético na região.

A imagem da garota com véu vermelho e olhos verdes olhando de forma penetrante para a câmera levou a capa da National Geographic, e tornou-se símbolo histórico do conflito.

3. Ueslei Marcelino (@uesleimarcelinooficial)

FOTO: Ueslei Marcelino

O brasiliense Ueslei Marcelino, por coincidência, nasceu no dia do repórter fotográfico: 02 de setembro de 1979 e tem como formação acadêmica a Publicidade e Propaganda.

Marcelino começou sua trajetória profissional como fotógrafo no Jornal de Brasília e, em seguida, na revista Isto É Gente.

Esses foram apenas os primeiros passos, logo que sua atuação na área foi extremamente expressiva no cenário nacional, produzindo materiais de grande relevância para o jornal Folha de São Paulo, bem como para a AGIF, a maior agência de esportes do país.

Pelo seu destaque, Marcelino foi convidado a ser integrante da agência internacional de notícias Reuters, cobrindo, em especial, o cenário político na capital do país, registrando pessoas e costumes do norte e nordeste do Brasil, além de ensaios documentais, fotoreportagens e atuações em equipes internacionais da agência.

Em 2019, por sua impecável atuação, Marcelino foi eleito o fotógrafo do ano da Reuters, além de ganhar o prêmio Pulitzer, uma das maiores honrarias internacionais do jornalismo, literatura e composição musical.

O fotógrafo cedeu uma excelente entrevista ao jornal El País, relatando um pouco sobre sua trajetória e experiência ao ganhar um prêmio tão reconhecido. Vale a pena a leitura!

4. Luisa Dörr (@luisadorr)

Cholitas bolivianas: campanha para a Apple. FOTO: Luisa Dörr

Outro grande destaque brasileiro internacional é a gaúcha Luisa Dörr.

Sua paixão pela fotografia vem desde cedo. 

Ainda na infância Luisa brincava de fotógrafa com qualquer coisa que representasse uma câmera, o que a fez cursar, posteriormente, design gráfico, o curso mais próximo à fotografia em sua cidade natal, Lajeado/RS.

Após trabalhar um breve período no estúdio de sua tia, Luisa se mudou para Porto Alegre, onde trabalhou em uma agência, na qual, por coincidência, conheceu o fotógrafo Iatã Cannabrava, que lhe ofereceu uma vaga no estúdio Madalena, na cidade de São Paulo.

Morando em São Paulo, conheceu o fotógrafo espanhol Frank Kalero, com o qual se apaixonou e, juntos, viajaram por diversos países realizando trabalhos fotográficos, resultando em um grande destaque à Luisa.

A experiência lhe rendeu trabalhos e publicações em grandes veículos de comunicação, como os jornais El País, CNN,  The New York Times, e revistas, como a Marie Claire, Time e National Geographic, dentre tantos outros, além de já ter ganho diversos prêmios internacionais.

Suas fotos valorizam a naturalidade do ser humano por meio da feminilidade de suas modelos, empoderando-as e contando suas histórias de forma digna.

Como se tornar um Fotojornalista?

Atualmente, não existe uma faculdade de fotojornalismo no Brasil.

Porém, pelas necessidades do dia-a-dia deste profissional, algumas formações de nível superior podem contribuir para um bom desempenho na carreira.

A primeira e mais óbvia é a graduação em jornalismo

Cursando a faculdade de jornalismo, o estudante aprende a contar boas histórias sob o olhar jornalístico, se atendo aos fatos e ao compromisso com a verdade, o que desenvolve o senso crítico, essencial ao fotojornalista.

O mais interessante deste curso para quem busca ser um fotojornalista é que o mesmo oferece uma matéria específica sobre o assunto, logo, durante um semestre inteiro, o aluno é imerso nessa experiência de retratar os fatos por meio da fotografia.

Porém, como você também pôde perceber, o fotojornalismo é muito mais que simplesmente apontar a câmera e apertar um botão, exige muita técnica fotográfica também!

Por isso, outro curso que contribui na especialização de fotografar é o de tecnólogo em fotografia, no qual o estudante aprende técnicas do ofício, como iluminação e enquadramento, elementos fundamentais ao fotojornalismo.

4 pontos para entender se o fotojornalismo é para você

Definitivamente observar obras feitas por fotojornalistas é extremamente inspirador, além de nos dar vontade de sair mundo afora registrando os acontecimentos.

Porém, não podemos esquecer que, por trás de uma foto marcante, existe muita técnica e experiência. 

Portanto, para entender se é fotojornalismo é para você, separamos 4 características essenciais a este profissional.

1. Ser ágil

Os momentos são únicos e irrepetíveis. 

Trabalhar com o registro dos fatos requer muita agilidade ao fotojornalista de captar o momento certo, sem ter outra oportunidade. 

Por isso, ser atento ao que acontece ao redor e saber tomar decisões rápidas e assertivas é essencial a esse profissional.

2. Ter um pensamento crítico

Fotografar, no jornalismo, é contar histórias por meio de imagens, e isso envolve entender o contexto amplo das realidades sociais. 

Como falamos anteriormente, o fotojornalismo, muito além de uma arte, é um compromisso social, no qual faz de todos participantes das discussões.

Ter um pensamento crítico é saber que o material produzido tem o poder de mudar histórias e vidas, por isso, é uma responsabilidade enorme perante a sociedade.

3. Trabalhar o “olhar”

O grande diferencial de bons fotojornalistas é o olhar apurado. 

Saber observar um fato e captar uma imagem que ninguém mais enxergou é o que destaca os grandes profissionais desta área.

Isso, é claro, pode ser desenvolvido com as experiências de atuação, porém, requer também muito estudo visual como também uma grande carga de referências.

Assim como em todas as profissões, gostar de estudar é fundamental nesse nicho do jornalismo.

Leia sobre outras áreas do jornalismo: Assessoria de Imprensa: O Que Faz, Áreas de Atuação e Salários (2021)

4. Saber se adaptar

Por vezes, vemos apenas o resultado do trabalho, porém, todas as dificuldades passadas para o registro perfeito ficam, literalmente, atrás das câmeras.

Ao realizar um trabalho como fotojornalista, é preciso saber que as condições para a realização das fotos nem sempre serão das melhores.

Pode haver muita, ou pouca luz, ângulos desfavoráveis, horários e situações que simplesmente fogem do planejado, dentre tantas outras adversidades… é uma profissão que exige muita tenacidade.

Saber lidar com situações diversas é essencial para quem deseja ser fotojornalista.

Uma excelente carreira para olhares aguçados

Em um mundo cada vez mais visual, e com a possibilidade de produção e registro de momentos na palma das mãos, o trabalho do fotojornalismo se torna um verdadeira tarefa de “esculpir mármore” em milésimos de segundo.

O trabalho deste profissional é uma verdadeira obra de arte da vida real e que, em tempos nos quais o jornalismo vem sofrendo tantos ataques, contar os fatos por meio de imagens se torna um registro inquestionável da realidade.

É uma profissão desafiadora, mas, ao mesmo tempo, gratificante e inspiradora.

Mas, diz para nós, quais outras profissões você gostaria de ver por aqui?

Deixe nos comentários suas sugestões e aproveite para ler o artigo:
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