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Estratégia financeira em tempos de pandemia: 10 medidas para minimizar a crise da sua empresa

A pandemia de coronavírus chegou ao Brasil e contaminou também a economia. O cenário é de ajuste para todas as companhias e mercados – ninguém está imune à crise.

É importante ter em mente que, sua empresa não é culpada por estar passando por essa situação. É uma crise mundial e generalizada.

Também, não existem soluções milagrosas nem estratégias financeiras 100% assertivas diante desse cenário único e incerto.

Mas, sim, é possível adotar estratégias financeiras e fazer reestruturações operacionais para reduzir os prejuízos durante essa turbulência que não sabemos quando terá fim.

Em entrevista com o professor do Eixo de Negócios da Athon Ensino Superior, Manoel Videira ele é enfático em destacar que “a palavra fundamental durante e após a pandemia é INOVAÇÃO”.

Quer descobrir como minimizar a crise com planejamento, estratégia e inovação? Confira a seguir 10 medidas:

1) Analise profundamente a situação atual da empresa

Esqueça, por um momento, o que está acontecendo mundo afora e olhe para dentro da sua empresa. Para que seu negócio seja o menos impactado possível, será preciso repensar a sua gestão.

Comece fazendo um diagnóstico financeiro e operacional detalhado. Para isso, siga as dicas:

Diagnóstico financeiro

  • Analise a estrutura de capital, especialmente as dívidas

As dívidas mais altas ficam mais evidentes, porque seus custos pressionam o fluxo de caixa. Mas, para saber o tamanho do problema, é preciso estimar o impacto das dívidas no caixa ao longo tempo, inclusive as menores. Portanto, anote tudo!

  • Avalie o tempo de vida disponível da empresa

Para avaliar o potencial de sobrevivência da sua empresa, você precisará ter clareza de dois dados: qual o custo mensal do seu negócio (composto pela soma dos custos fixos e variáveis, levando em conta a média de custos dos últimos 3 meses) e qual a sua atual disponibilidade de caixa.

Com esses dados em mãos, basta dividir a disponibilidade de caixa pelo custo mensal e você terá uma expectativa do potencial de sobrevivência da sua empresa no curto prazo.

A previsão é de que a crise vá, pelo menos, até o final de julho de 2020. Por isso, seria necessário que seu potencial de sobrevivência seja maior ou igual a 4,5 meses, caso o seu faturamento seja zero durante todo o período.

Mas atingir esse índice é extremamente complicado. Por isso, será preciso pensar em outras saídas para que o faturamento não chegue nesse nível.

Diagnóstico operacional

Este tipo de diagnóstico funciona como uma fotografia da sua empresa, porque você pode, literalmente, ver como está a sua gestão e também analisar pontos específicos de seu negócio – negativos e positivos.

Um dos pontos essenciais é listar todos os custos fixos e variáveis da sua empresa e identificar quais são os seus maiores custos. Baseado nisso, você poderá estabelecer um ajuste tático.

No entanto, em momento de crise, é preciso fazer um diagnóstico que não leve em conta apenas o que custa mais ou menos, mas também o que será relevante.

Pode ser que o diagnóstico aponte necessidade de demissões, mas analise qualitativamente os seus colaboradores e veja quem poderá te ajudar a passar pela crise bem como será essencial quando as coisas melhorarem.

Faça isso e adote as medidas necessárias o mais rápido possível, pois se tornará estratégico no médio prazo.

2) Projeção de cenário de guerra e pós-guerra

Você já tem dados em mãos (seguindo a recomendação anterior) e, com isso, pode montar o chamado cenário de guerra (ações a serem tomadas no curto prazo) e o de pós-guerra (decisões estratégicas de longo prazo) da sua empresa.

Como ainda não sabemos ao certo o que vai acontecer, é preciso explorar diferentes cenários e pensar em como eles podem afetar os negócios.

Uma pesquisa da PWC constatou que 75% das empresas que ficaram em uma situação melhor após passarem por uma crise reconhecem fortemente a importância de esclarecer os fatos com precisão durante o evento para adotar a melhor resposta.

A tabela a seguir apresentada pela Endeavor traz uma projeção de vários cenários e possíveis decisões que podem ser tomadas, levando em conta as consequências de cada uma.

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Fonte: Sequoia

Conforme a Sequoia, empresa de capital americana que criou essa matriz, o ato de planejar é mais útil que o próprio plano.

Depois de usar essa estrutura, você deve atualizar sua estratégia de tempos em tempos.

Afinal, as circunstâncias estão mudando rapidamente e a adaptabilidade determinará os vencedores (ou sobreviventes).

3) Comunique os stakeholders

Como estamos em uma crise sistêmica, há menos questionamentos, porque todos estão na mesma situação, inclusive os stakeholders.

Mas é importante atualizá-los sobre o que está acontecendo na empresa e como o cenário está impactando seu negócio.

Uma dica é usar algum indicador externo à empresa para balizar as discussões nesse cenário de incertezas.

É necessário comunicar as ações antes de serem tomadas, explicando os motivos e onde você quer chegar com elas.

Os stakeholders precisam perceber que você está enfrentando o problema com gestão. Mais do que nunca, transparência e comunicação são fundamentais.

“Imagino como deve estar difícil as situações dentro da sua empresa, independente do tamanho ou tipo de atividade, mas o primordial é: chame todos os colaboradores para conversar, negocie, se não for possível, renegocie e, caso não seja efetivo não precisa fugir ou ter vergonha, pois todos nós estamos passando por isso, não só você”, complementa o professor.

4) Renegocie com os credores

Assim como os stakeholders, seus credores também devem entender as necessidades e os impactos mais facilmente nesse contexto de crise mundial.

Mas você deve estar pronto para demonstrar e explicar o que você está pedindo e o que você precisa.

Entenda, também, que há incerteza dos dois lados. Por isso, os bancos podem ser mais exigentes e o custo do capital, mais alto.

É fundamental ter executado a primeira e a segunda medidas que passamos, lá em cima, para ter clara a situação da sua empresa e os cenários que vislumbra no curto, médio e longo prazo.

No ambiente pós-crise, é mais fácil ver os impactos na receita e quais são os próximos passos.

Quem conseguir transferir isso aos stakeholders aumenta chances de sobrevivência.

Mas, se tiver de tomar crédito, avalie antes se:

  1. Tem o uso para o caixa;
  2. Ou você precisa cobrir caixa.

E só tome linhas que estejam relacionadas com o seu plano e com a vida do seu caixa.

Além disso, fique atento às medidas que estão sendo anunciadas pelas equipes econômicas do seu Estado e do governo federal.

Veja algumas a nível nacional até o dia 31/03:

  • O pagamento dos tributos federais do Simples Nacional foi prorrogado. O acerto referente aos meses de março, abril e maio deste ano ficou postergado para outubro, novembro e dezembro, respectivamente;
  • O governo suspendeu por três meses o prazo para empresas pagarem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);
  • Também liberou mais R$ 5 bilhões de crédito para as micro e pequenas empresas pelo Programa de Geração de Renda (Proger). A quantia será repassada aos bancos públicos para que eles concedam empréstimos voltados a capital de giro;
  • Uma linha de crédito emergencial foi lançada para financiar a folha de pagamento de pequenas empresas pelo período de dois meses, limitado até 2 salários mínimos.

5) Estabeleça novas metas

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Você previa uma obra de ampliação ou, então, estava planejando investir em um novo produto?

Talvez algumas de suas metas tenham de esperar ou até mesmo serem abandonadas. Isso não quer dizer que você tenha de abandonar qualquer planejamento.

É hora de criar espaço para explorar novos horizontes.

Professor Manoel Videira aconselha, “faça um conjunto de metas pós-pandemia, pois toda situação difícil deixa duas lições: a primeira delas é que um dia ela acaba e a segunda é que essas situações sempre apresentam oportunidades e temos que aproveitá-las.

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Na Pesquisa Global sobre Crises 2019 da PwC, líderes empresariais de vários setores compartilharam suas experiências com crises, suas expectativas e seus principais pontos fortes e fracos em tais situações.

Essas discussões revelaram que algumas empresas emergem mais fortes – e até experimentam crescimento de receita – após uma crise, enquanto outras hesitam.

Construir novas metas e uma perspectiva mais ampla e de longo prazo pode ajudar a fazer a empresa sair da crise ainda mais forte e sustentável.

6) Controle o fluxo de caixa com frequência

Como o cenário é de muitas incertezas, manter um olho no peixe (no mercado) e o outro no gato (no seu fluxo de caixa) é fundamental para fazer as projeções e tomar as atitudes necessárias.

Fazer um controle eficiente do fluxo de caixa é fundamental para que a saúde financeira da empresa seja mantida.

O mais aconselhável é utilizar um software de gestão para registrar todas as entradas e saídas de dinheiro. Com essas informações precisas, fica mais fácil e seguro tomar as medidas necessárias.

Outra vantagem de fazer o fluxo de caixa é que ele permite que você faça previsões financeiras para os próximos meses.

Por exemplo, você poderá prever um saldo negativo e tomar uma atitude para evitar que isso aconteça.

Caso esse seja um assunto novo ou ainda muito complexo para você, considere estudar a respeito. O Sebrae possui um curso gratuito e online sobre Como Controlar o Fluxo de Caixa.

Uma ótima maneira de aproveitar a quarentena em casa, não é?

7) Invista no trabalho remoto

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Se tem algo que sabemos neste momento é que o isolamento social é uma das principais estratégias de combate ao coronavírus.

Com isso, mais do que uma opção, o trabalho remoto se tornou uma necessidade.

Se sua empresa ainda não havia adotado o sistema de home office, essa é a hora de desenvolver processos e habilidades para fazê-lo de maneira eficaz.

É importante lembrar aos colaboradores que isolamento não é férias e mantê-los motivados e próximos uns dos outros e de seus gestores.

Leia também: 7 mitos sobre trabalho remoto que empreendedores precisam quebrar

Reuniões diárias rápidas no começo e final da jornada de trabalho podem ser um ótimo aliado para manter a produtividade e o alinhamento do time remoto.

O especialista em tecnologia Tony Ventura fez uma lista com 17 ferramentas gratuitas que podem te ajudar a fazer reuniões virtuais, organizar arquivos e tarefas, entre outras atividades, para este momento de distanciamento social.

8) Mantenha os colaboradores alinhados

Por falar em home office, não pense apenas nas questões financeiras e operacionais da sua empresa. Dê atenção especial ao maior ativo da empresa: as pessoas.

Mantê-los calmos, motivados e alinhados com a situação da empresa é superimportante.

Como fazer isso?

Vale a mesma dica que comentamos sobre os stakeholders, que é a de ser transparente e compartilhar as informações e as medidas que estão sendo tomadas.

Faça com que eles se sintam parte do momento, como efetivamente são, mesmo estando fisicamente longe da empresa.

Para isso, manter canais de comunicação, seja fóruns, e-mails ou ligações telefônicas ou em vídeo, é mais importante do que nunca.

9) Invista em uma boa estratégia de comunicação

Além de se preocupar com o funcionamento interno da empresa, de stakeholders a colaboradores, você não pode descuidar do público externo.

Mas atenção: é importante abordar todos os públicos-alvo.

Em crises passadas, algumas empresas se concentrarem muito em grupos específicos – como investidores, órgãos reguladores ou consumidores mais ruidosos –, enquanto negligenciaram outros – como clientes e fornecedores.

É hora de investir em comunicação – o que não necessariamente significa aporte de recursos.

Você pode, por exemplo, ativar o atendimento por WhatsApp ou através do Instagram, Facebook, LinkedIn, marketplaces ou qualquer outro meio de comunicação que você achar interessante.

Se for possível, é claro, vale investir em equipes de comunicação, em gestão de crise, e em marketing digital.

Transmitir a mensagem correta neste momento é fundamental para que a imagem da sua empresa saia fortalecida no pós-crise.

10) Acredite na empresa, no produto e nos colaboradores

Por fim, mas não menos importante, acredite!

Olhe para sua equipe de colaboradores, para o seu produto e para os projetos e procure visualizar quantas oportunidades você tem nas mãos.

Trabalhe com velocidade e organização para que eles se transformem em multiplicadores de novos negócios.

Já que você abriu novas formas de relacionamento e proximidade com seus funcionários e com seus clientes, escute o que eles têm para falar.

Acredite, também, em você!

Faça o melhor que puder para sua empresa e para as pessoas que se dedicam a ela.

Afinal, a situação vai passar e, com um bom planejamento, você poderá voltar a crescer logo ali na frente.

Um novo comportamento de consumo vem aí. Como você irá reagir a ele?

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De acordo com um estudo publicado pela Harvard Business Review, o cenário econômico da China já está mostrando sinais de recuperação.

Uma das principais conclusões deste estudo é que, mesmo passada a crise gerada pelo coronavírus, o comportamento do consumidor deve sofrer profundas alterações.

E isso (já está) vai impactar diretamente na forma como “vivemos”, “trabalhamos”, “compramos”, “nos divertimos” e como “fazemos negócios”.

Por isso, faça uma análise da sua empresa, adote as medidas necessárias, comunique-se com clareza e não deixe de acreditar no seu negócio.

Afinal, tudo isso vai passar – apenas faça o seu melhor para que a sua empresa passe também.

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