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5 fatos sobre a desigualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro (que devem ser mencionados)

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro não é novidade. Último relatório feito pelo IBGE aponta que entre 2012 e 2018, as trabalhadoras ganharam, em média, 20,5% menos que os homens no país. 

Mas não é só isso… 

Ainda que sejam maioria com ensino superior completo (55,1%), as mulheres possuem pouca variação salarial ao longo da carreira e são menos admitidas a partir dos 55 anos. 

Essa disparidade também é observada ao redor do mundo. 

A Organização Mundial do Trabalho (OIT) mostra que a probabilidade de uma mulher trabalhar foi 26% inferior que a de um homem, melhoria de apenas 1,9% se comparado com os dados de 1991.

Dados e notícias que reforçam a lacuna de gênero no Brasil não faltam. Mas como mudar esse cenário? 

Como construir um futuro com oportunidades iguais, onde mulheres não sejam prejudicadas na carreira por questões como maternidade ou atividades domésticas? 

Neste artigo, veja alguns fatos sobre a desigualdade de gênero no mercado brasileiro e reflita sobre como podemos promover um cenário mais equilibrado. 

5 fatos sobre a desigualdade de gênero no mercado brasileiro

1) Mulheres recebem menos e trabalham mais

Estudo divulgado em 2020 pelo Instituto Semesp aponta que a média salarial dos admitidos com ensino superior completo é de R$ 4.640 para homens e R$ 3.287 para mulheres, diferença de 41%. 

O mesmo relatório apontou que enquanto os homens avançam após os 30 anos de idade, as mulheres apresentam pouca evolução salarial ao longo da carreira. 

O IBGE aponta que as mulheres brasileiras trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, considerando os afazeres domésticos e cuidado com pessoas.

A conta não fecha, né?

2) Mães são as mais afetadas

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mulheres com filhos menores de seis anos são mais “penalizadas” no mercado de trabalho. 

Em entrevista ao G1, a chefe da Área de Gênero, Igualdade e Diversidade da OIT, Shauna Olney, afirma que essa penalização da maternidade não se limita somente ao acesso a um emprego ou salário, mas segue as mulheres durante parte de sua carreira e dificulta a conquista de postos de liderança. 

Tanto é verdade que no mundo inteiro apenas 9 em cada 100 mulheres chegam ao cargo de CEO. Já no Brasil, as mulheres ocupam 6% de todos os cargos executivos disponíveis. 

3) Tarefas domésticas e outras sobrecargas

Outro ponto que sobrecarrega as mulheres e torna a competição injusta é o “terceiro turno”, momento em que as profissionais, na maioria das vezes, precisam dar conta das tarefas de casa e da criação dos filhos. 

A OIT também aponta que as mulheres são prejudicadas por serem geralmente as que assumem o cuidado de pessoas dependentes, seja por velhice, incapacidade ou doença. 

Ou seja, elas têm muito mais condições de chegarem a um esgotamento mental e físico, justamente por conta dessas disparidades. 

O cenário reflete um histórico de machismo que desde sempre associou o sexo feminino às atividades domésticas. 

Para se ter uma ideia, a pesquisa da ONG Plan Brasil mostra que para 84,1% das meninas entre 6 e 14 anos é delegada a função de arrumar a cama. Para os meninos, a estimativa é de de 11,6%. 

Em entrevista ao Huffpost, a pedagoga e educadora sexual Caroline Arcari, dá a deixa: “não precisa do órgão genital para fazer tarefas domésticas”. E quanto mais os pais entenderem isso em casa, mais reflexos positivos de igualdade teremos lá na frente, no mercado de trabalho. 

4) Bancada feminina tem olhado para a desigualdade 

Ainda que seja um longo caminho a percorrer, a bancada feminina no Senado tem aprovado uma série de projetos de leis que buscam retirar as mulheres da posição desfavorável que historicamente ocupam na sociedade.

Também foi criado o Observatório da Mulher contra a Violência, a Procuradoria Especial da Mulher, o Programa Pró-Equidade e o Comitê pela Promoção da Igualdade de Gênero e Raça.

São setores que têm como objetivo combater o machismo e fortalecer a presença das mulheres no mercado de trabalho, na política, entre outras áreas das quais foram excluídas por conta do sistema patriarcal. 

Ainda que estes sejam importantes avanços, é importante ressaltar que a presença do sexo feminino na política brasileira ainda está muito aquém do desejado. 

Atualmente de 81 cadeiras no Senado, 12 são ocupadas por mulheres (14,8%). Desse montante, apenas 2% são negras. Já a primeira indígena eleita foi somente em 2018. 

Veja também: Mulheres negras na sociedade: Desafios e exemplos de luta e resistência

Aliás, você sabia que o banheiro feminino só foi construído no Senado em 2016?

5) Igualdade de gênero ajuda a economia 

A igualdade de gênero tem potencial de promover o crescimento econômico mundial. Quanto mais mulheres se fizerem presentes no mundo produtivo e criativo, mais os territórios ganham. 

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Estudo feito em 2018 pelo Banco Mundial aponta que a riqueza total no mundo teria uma alta de 14% caso a igualdade salarial entre homens e mulheres fosse alcançada. 

Outra pesquisa feita pela Organização Americana Council of Foreign Relations destaca que a academia encontrou relação positiva entre igualdade de gênero e cumprimento de direitos econômicos e sociais. 

Apenas para se ter uma ideia, os países mais desenvolvidos (Nova Zelândia, Islândia, e Alemanha) são os que apresentam as menores taxas de desigualdade e discriminação de gênero. 

4 maneiras de promover a igualdade de gênero no dia a dia e no trabalho

1) Mudar a cultura dentro de casa

Promover a igualdade de gênero no dia a dia e no trabalho é uma desconstrução que precisa começar dentro de casa. 

Se você mora junto com a sua companheira, um bom começo é parar de usar a palavra ajuda quando se refere às atividades domésticas. 

A partir do momento que o homem diz que ajuda em casa, ele automaticamente indica que, na verdade, a obrigação de limpar, lavar e cozinhar é estritamente da mulher. 

Homens, mulheres e filhos (meninos e meninas) devem fazer a sua parte para manter a casa limpa e organizada. Quanto mais isso for estruturado nos lares, mais a mulher terá mais tempo e disposição para se dedicar à carreira.

2) Pleito pela licença compartilhada

A maternidade ainda é uma das principais causas da saída da mulher do mercado de trabalho e, nesse contexto, a lei brasileira contribui para o cenário.

Os pais têm direito a apenas cinco dias de licença-paternidade, enquanto as mães podem tirar até quatro meses, o que já implica a responsabilidade pela criação dos filhos às mulheres. 

O ideal para alcançar a igualdade de gênero, portanto, seria criar uma espécie de Licença Compartilhada, assim como acontece em países como a Suécia. 

Lá, mães e pais podem dividir o tempo de licença que é de 480 dias. Nas próximas eleições, vote em candidatos que estejam atentos a essa questão ou minimamente levem a pauta para a mesa. 

3) Vote em mulheres

E por falar em voto, você já parou para refletir sobre os impactos de eleger mulheres?

Para ter um ambiente político com experiências e visões diversas que atentem para questões como a desigualdade de gênero, é preciso que os cargos no legislativo sejam proporcionais aos grupos demográficos da sociedade brasileira.

Ou seja, eleja mulheres. Eleja mulheres negras. Eleja a comunidade LGBTQIA+. 

Outro argumento importante neste tópico é a representatividade. Quanto mais mulheres ocuparem cargos eletivos, mais elas vão entender que a política também é um lugar que podem ocupar.

Representada predominantemente por homens brancos há mais de 100 anos, a política eletiva precisa dessa pluralidade para dar protagonismo aos grupos que nunca tiveram voz nesses espaços. 

Quer ainda mais argumentos para votar em mulheres? Assista  à recente série lançada pelo portal Quebrando o Tabu, Eleitas. 

A produção audiovisual reforça a importância de as mulheres ocuparem posição de poder e o que acontece quando elas, de fato, se fazem presentes e colocam seus pleitos na mesa.

Além disso, traz exemplos revolucionários como o do congresso do México, que em 2019 aprovou uma reforma que obriga que 50% dos cargos públicos sejam ocupados por mulheres nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

 É a chamada paridade de gênero. 

O primeiro episódio da série você pode assistir abaixo:

4) Ampliar ideia sobre liderança

O sistema patriarcal introjetou a ideia de que os cargos de gestão combinam mais com características ditas masculinas, como coragem, firmeza e força. 

Porém, ao longo dos últimos anos, esse paradigma foi sendo rompido e atributos ditos femininos como sensibilidade, intuição, flexibilidade, empatia e capacidade de diálogo se mostram tão importantes (ou mais) para exercer um papel de liderança. 

As habilidades do futuro do trabalho elencadas pela ONU, aliás, valorizam muito mais competências socioemocionais em comparação às técnicas. 

Grandes empresas como a Ambev também começam a realizar processos seletivos voltados para as chamadas soft skills

Fica a reflexão.

É preciso falar sobre desigualdade de gênero, sim

Uma das melhores formas de romper paradigmas e desconstruir pensamentos é colocar o assunto na roda e dialogar. Com a desigualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro não é diferente. 

Reflita sobre os dados levantados neste artigo e observe o quanto você – homem ou mulher -, dentro da sua realidade, está colaborando para mudar o cenário.  A caminhada é longa, mas necessária. O mundo todo ganha com isso!

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